Novo espaço para se pensar e discutir a dinâmica do mercado e das marcas de luxo, dos produtos e serviços com alto valor agregado e para todos aqueles que se interessam pelos temas do consumo e novas tendências, moda e estilo, design, branding e marketing. O crescimento e a valorização do luxo é uma questão central do consumo contemporâneo e faltam especialistas e espaços para discutir este tema com seriedade.

Wednesday, March 19, 2008


Consumo, Luxo e Design

O consumo faz a ponte entre as instituições econômicas e as esferas culturais, e é uma força central nas mudanças de larga escala na vida social e na vida psíquica dos indivíduos. Sabemos que o consumo de produtos e serviços é um vetor de fundamental importância nos projetos de criação, formação e expressão do estilo e da identidade pessoal.

O homem é por si só um animal simbólico. Antes eram os objetos e os seres vivos da natureza que eram carregados de sentidos e significado mítico. Dotavam o mundo de sentido e ajudavam o indivíduo a estruturar sua vida pessoal e a se conhecer. Hoje no mundo capitalista das mercadorias, os homens transferiram sentido, razão e beleza para o mundo de suas criações artísticas ou técnicas. A função e a beleza saem do domínio de Deus e penetram nos objetos cotidianos e nas criações do homem. Eles são apropriados individualmente para dotar de sentido a vida pessoal. São objetos funcionais e emocionais. Elos existenciais do indivíduo com os outros homens. Eles criam identificação, diferenciação e identidade.

Hoje, boa parte das coisas que utilizamos, vestimos e até comemos são “designed”. O design faz parte do cotidiano de todos nós e está presente nas coisas mais triviais do dia a dia. Como afirmam os próprios designers: são objetos que entram em nossa existência para resolver problemas e apresentar soluções, para transmitir idéias ou para fazer as coisas parecerem mais bonitas e atraentes. Quando uma pessoa diz “Eu gosto do design de tal objeto”, ela não está dizendo apenas que gosta ou concorda com as formas, cores, materiais, textura e estilo; funções ou praticidade do que vêem, mas estão expressando um juízo estético: estão demonstrando o impacto e os estímulos sensoriais, emocionais e estéticos que este “design” exerce em termos psicológicos sobre ela. Quando eu digo que gosto do design de algo, expresso que me identifico ou desejo “ser” ou “ter” as expressões de estilos e as características visuais ou signícas daquela coisa para mim. O design é um carregador de sentido e estilo, e também, convencionalmente, de bom gosto e estilo artístico. Usa-se o design para expressar o gosto pessoal, dizer quem se é, e para criar uma ‘self-image’ diferenciada, ‘original’ e particular.

Os designers e os intermediários simbólicos e culturais, em geral, sabem que eles são responsáveis pela significação do real e pela produção de significados simbólicos no mundo de hoje. Mais do que criar, propagar ou promover a grande ‘orgia’ de imagens e signos, eles conseguem multiplicar infinitamente seus significantes. Uma mesma coisa pode ser e significar qualquer outra. Sabem que a relação entre as coisas e seus significados é arbitrária. Ao recriar uma mesma coisa fazendo mudanças estruturais mínimas, refuncionalizando, substituindo materiais, cores e formas, permitem novas escolhas e gostos individualizados. Cria estilo, mas acima de tudo individualidade.

Estes produtos que concebemos, produzimos e colocamos em circulação são mais imagens que coisas. E a dinâmica desta circulação cria diversos modos de imaginar, criar, se comportar, sentir e ser. Somos em parte muito do que vemos, ambicionamos e consumimos. Somos reflexos de lugares e das coisas com os quais nos relacionamos.

Hoje, sabemos que quase tudo tem design e um número incalculável de novas coisas e as próprias atividades humanas são estetizadas, estilizadas e re-funcionalizadas. A casa, o corpo e até a própria alma se tornaram objetos de “design”. O design é aplicado no desenvolvimento de bens, serviços, processos, mensagens, ambientes, mas também no corpo e na psicologia individual.

Há uma forte ligação das instituições econômicas sobre a esfera cultural da vida, como já foi afirmado. Importante aprendermos os porquês da importância e da crescente valorização e consumo de bens estéticos e “design”. Importante ressaltar também, que um número crescente de indivíduos das sociedades citadinas do século XVIII, já se demonstravam bastante sensíveis a satisfação estética e artística dos seus bens pessoais. Havia um forte desejo de consumir formas materiais visíveis de arte. Era uma época em que se fortalecia o consumo discricionário de bens e o valor da circulação, produção e consumo de novos artigos sofisticados, as novas atividades de lazer e cultura e a preocupação com o ‘bom gosto’ entre as classes afluentes nas ‘capitais’. Preocupava-se mais com a qualidade estética e representacional de muitos objetos, até então, prosaicos ou pouco valorizados: das pinturas às gravuras, das peças e objetos decorativos às roupas e acessórios. Esta fome material de novas aquisições e o crescente poder destes objetos sobre os corações e mentes destes ‘novos’ consumidores e proprietários, é um emblema desta cultura material Vitoriana na Inglaterra e durante e após o reinado de Luís XIV na França. Na literatura, bons exemplos não faltam: de Mme Bovary a Balzac e Charles Dickens.

O fato é que a sociedade moderna se inclina e se torna mais sensível à tecnologia, aos bens artísticos, ao que se é exclusivo e escasso, a moda e as ‘nouveautés’, as criações dos artistas e artesãos da moda. O design já começa a pavimentar, assim, sua jornada de sedução e sucesso.

1 Comments:

Blogger Shakadal said...

See here or here

7:39 PM

 

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